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Lise Meitner em um laboratório de física nuclear na década de 1930

Lise Meitner descobriu a fissão nuclear em 1938, mas Otto Hahn recebeu sozinho o Nobel de Química em 1944, apesar de 19 indicações ao prêmio entre 1924 e 1948

Como uma cientista genial como Lise Meitner pôde ser preterida no Nobel de Química de 1944, apesar de sua descoberta revolucionária na física nuclear?

Lise Meitner, uma das mentes mais brilhantes da física nuclear, descobriu a fissão nuclear em 1938. No entanto, seu colega Otto Hahn foi o único laureado com o Prêmio Nobel de Química em 1944, gerando polêmica e questionamentos sobre o reconhecimento de mulheres na ciência.

Em resumo

  • Lise Meitner descobriu a fissão nuclear em 1938, segundo verbetes consultados.
  • Otto Hahn recebeu sozinho o Prêmio Nobel de Química em 1944, de acordo com registros históricos.
  • Lise Meitner foi indicada 19 vezes ao Nobel de Química entre 1924 e 1948, conforme registros da Fundação Nobel.

Origem e carreira de Lise Meitner

Nascida em Viena em 1878, Lise Meitner cresceu em um ambiente que desencorajava mulheres a seguir carreiras acadêmicas. No entanto, sua determinação a levou a se tornar a segunda mulher a doutorar-se em física pela Universidade de Viena em 1906.

Ao chegar a Berlim, trabalhou ao lado de Max Planck e Otto Hahn, com quem colaborou por três décadas. Seu trabalho se concentrava em estudos de radioatividade, onde Meitner se destacou por sua compreensão da física.

Durante a década de 1930, o cenário político se tornou hostil para Meitner, uma vez que as Leis de Nuremberg a forçaram a deixar suas posições acadêmicas na Alemanha devido à sua ascendência judaica.

Fugindo para a Suécia, ela continuou suas pesquisas em condições adversas, sempre mantendo contato com Otto Hahn, que permaneceu na Alemanha.

A descoberta da fissão nuclear

Em 1938, enquanto em Estocolmo, Meitner recebeu dados de Hahn e Fritz Strassmann mostrando que o bombardeamento de urânio resultava em isótopos de bário. Com esses dados, Meitner, junto com seu sobrinho Otto Frisch, elucidou o processo de fissão nuclear.

O artigo que publicou na revista Nature, em fevereiro de 1939, deu ao fenômeno o nome de fissão nuclear, um marco científico que pavimentou o caminho para o desenvolvimento de energia nuclear e armamentos.

Meitner e Frisch demonstraram como a divisão do núcleo atômico liberava enormes quantidades de energia, um conceito que transformou a física moderna.

Esta descoberta impulsionou avanços significativos nos estudos nucleares, influenciando tanto a ciência quanto a geopolítica do século 20.

O Nobel de Química e a exclusão de Meitner

Em 1944, o Prêmio Nobel de Química foi concedido a Otto Hahn por sua contribuição à descoberta da fissão nuclear. A ausência de Meitner entre os laureados gerou controvérsias no meio científico.

Apesar de sua contribuição intelectual crucial, Meitner não foi reconhecida pelo comitê do Nobel, uma decisão que muitos consideram uma injustiça histórica, influenciada por fatores políticos e de gênero.

Meitner foi indicada 19 vezes ao Prêmio Nobel de Química e 30 vezes ao de Física, mas nunca venceu, um reflexo das dificuldades enfrentadas por cientistas mulheres na época.

Essa exclusão levou a críticas à Fundação Nobel e levantou discussões sobre o processo de seleção dos prêmios.

Reconhecimento e legado de Meitner

Ainda que não tenha recebido o Nobel, o legado de Meitner foi reconhecido de outras maneiras. Em 1962, foi convidada ao Encontro de Laureados do Nobel de Lindau, um prestigioso evento científico.

Subsequentemente, o elemento químico 109 foi nomeado em sua homenagem, meitnério, em 1997, destacando sua influência duradoura na ciência.

Albert Einstein a chamou de “Marie Curie alemã”, sublinhando seu impacto comparável ao da famosa cientista franco-polonesa.

Apesar dos desafios, Meitner abriu portas para futuras gerações de mulheres na ciência, inspirando novas pesquisadoras a seguirem carreiras em física.

O impacto da descoberta da fissão

A fissão nuclear revolucionou a compreensão da energia atômica, levando à criação tanto de reatores nucleares quanto de armamentos, alterando o curso da história mundial e da Segunda Guerra Mundial.

Este avanço mostrou o quanto a ciência pode ser uma força de mudança, trazendo benefícios, mas também levantando questões éticas sobre seu uso.

A descoberta de Meitner sublinhou a importância da colaboração internacional e interdisciplinar na ciência, um princípio que ainda orienta pesquisas inovadoras hoje.

O caso de Lise Meitner serve como um lembrete do valor de reconhecer todas as contribuições científicas, independentemente de gênero ou nacionalidade.

O significado duradouro do reconhecimento

O reconhecimento tardio de Lise Meitner destaca a importância de corrigir injustiças históricas na ciência. Sua história é um testemunho da resistência e brilhantismo das cientistas.

Redação Mundos Criativos

Equipe editorial do Mundos Criativos — curiosidades, ciência, tecnologia e mistérios, todos os dias.

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